O uso Lúdico do celular no ensino de língua estrangeira

O presente artigo foi elaborado por um ex-aluno (Edson Francisco Lourenço) da pós-graduação da UFRPE em 2007…O relato foi objeto de um avaliação da disciplina Tecnologias na Educação ministrada por mim naquela época…

Existe um relativo consenso entre os educadores sobre qual é o principal problema dos alunos na escola: a falta de interesse. Em relação ao ensino fundamental e médio, a dificuldade de envolver os alunos nas atividades de aprendizagem, leva os educadores a persistir nas tarefas pouco desafiadoras, em suma, a valorizarem a educação sem nenhum envolvimento afetivo dos alunos, por isso essas atividades não geram nenhum conflito cognitivo, ou seja, os alunos não se sentem envolvido na aprendizagem. Este fato tem sido relatado em artigos, livros e entrevistas. Parece que, para alguns estudantes, não é claro o porquê de estudar.

Segundo Celso Antunes (2000), o que se busca realçar é que toda aprendizagem significativa necessita, fundamentalmente, de cinco componentes na ação cognitiva do aluno, e um desses componentes é a emoção. Então a emoção, como os outros quatro paradigmas, é um dos fatores cruciais da aprendizagem. Então como envolver o aluno através de atividades lúdicas? Qual o lugar da tecnologia na escola e qual o motivo para usá-la? Ora, o uso das ferramentas tecnológicas numa sociedade cada vez mais dependente de inovações para ajudar o homem a desempenhar com eficiência e precisão tem levantado alguns questionamentos: a tecnologia de fato inclui ou exclui o cidadão? Ela é de fato um instrumento socializador? E qual o papel da escola nesse processo de socialização? Como esta pode fazer uso da tecnologia? Será que a escola deve ser reprodutora fiel do sistema econômico vigente?

Por isso queremos justificar nesse artigo que a tecnologia pode sim ser eficaz e socializada por todos independentemente de classe social, ou raça. O uso do celular, por ter se popularizado bastante nos últimos anos, a principio nas escolas particulares e posteriormente nas escolas públicas, pode vir a ser aliado importante do professor no ensino, como por exemplo, de idiomas. A primeira indagação que devemos refletir é será que o celular somente aborrece e atrapalha tanto alunos quanto professores na sala de aula? Segundo, como o professor pode tirar proveito dessa ferramenta tão popularizada entre os alunos, mesmo nas escolas públicas? A resposta para primeira pergunta é não, se obviamente o professor estabelecer com os alunos um contrato social de boa convivência em sala de aula. Para segunda pergunta diremos que ele pode ser utilizado de diversas maneiras, como por exemplo, a realização de entrevistas no ambiente escolar ou mesmo na comunidade onde os alunos estão circunscritos.

Um exemplo prático foi realizado no SENAC Recife, no corrente ano de 2006. Os alunos receberam um questionário contendo uma serie de perguntas a serem feitas aos professores de idiomas sobre o seguinte tema: que tipos de filmes e livros você gosta de assistir e de ler nos finais de semana? O objetivo principal era o de obter informações suficientes dos professores da instituição para posteriormente ser produzido um jornalzinho que iria circular entre os próprios alunos e professores da instituição. O celular serviu para gravar as perguntas e tirar as fotos, que mais tarde foram enviadas para os e-mails dos entrevistadores, propiciando assim a oportunidade de transcrever, editar o texto; adicionar as fotos, fazer a revisão final e, finalmente, a impressão do jornal. Posteriormente foi feita uma avaliação da atividade para apontar se os objetivos foram alcançados totalmente; se a interação com um outro instrutor propiciou-lhes contextos situacionais onde o idioma seria utilizado efetivamente.

Houve um consenso entre os educandos, até mesmo entre os mais tímidos, de que a interação acontece em situações reais de comunicação, isto é, para se aprender qualquer coisa na vida, mas precisamente uma outra língua, é preciso se ter em mente quais objetivos a serem alcançados, e se o objeto de aprendizagem é realmente relevante. Após esse projeto piloto surgiram outras idéias de articular outras ferramentas tecnológicas ao ensino-aprendizagem de idiomas, como por exemplo, a produção de vídeos amadores totalmente produzidos e dirigidos pelos alunos, sob a orientação do professor.

Dessa forma, no registro de atividades bem sucedidas do semestre, com certeza o uso do celular foi uma das mais gratificantes, tanto pela inovação, quanto pela descoberta de que, às vezes não se precisa de muito para termos aulas prazerosas quando temos a tecnologia a nosso favor, e olha que ela não precisa ser necessariamente de ponta.

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